sábado, 19 de outubro de 2013

Passe Livre Paulínia


Em Julho a imprensa brasileira noticiava as dezenas de manifestações no país. Tudo começou pelo aumenta de 20 centavos na passagem de ônibus de São Paulo, incentivado pelo movimento passe livre, centenas de pessoas saíram às ruas da capital do Estado e foram recebidos com truculência pela polícia militar, vários manifestantes foram feridos e também jornalistas, o acontecido repercutiu tanto que os outros protestos marcados pelo grupo reunirão milhões de pessoas em diversas cidades do Brasil. Cada um dos manifestantes aproveitaram para fazer suas reivindicações, levantando seus cartazes. Essas manifestações mudaram a visão da política nacional, e os responsáveis pelos três poderes tentaram dar atenção às reivindicações.
Todas as lentes das filmadoras e máquinas fotográficas estavam voltados para a população. Em Paulínia, Edson Moura Junior tomava passe e aproveitou o momento oportuno para prometer a população:

"Nas últimas semanas, todos nós temos assistido a revolta de todos os brasileiros pela falta de bons serviços públicos na Saúde, na falta de escolas, na falta de segurança e no transporte público caro e sem o mínimo de conforto, além da consequente indignação e revolta com os políticos. Isso tudo começou com a diferença de vinte centavos nas passagens de ônibus. Por isso, tudo farei para que o povo de minha cidade se orgulhe do meu trabalho. Quero iniciar os trabalhos com as minhas primeiras medidas:
- Quero anunciar em primeira mão que a partir do dia 1º de outubro, que o povo trabalhador não mais pagará transporte de ônibus na nossa cidade. Nossa tarifa será zero, para que sobre mais dinheiro no bolso nos trabalhador".

A notícia repercutiu o país com destaque que "Paulínia seria a primeira cidade a ter tarifa zero depois da onde de manifestação".  A população ficou desconfiada: haveria um projeto adequado para atentar o número de passageiros? Com a volumosa quantia que a Passaredo receberia ela renovaria sua frota? Seriam redesenhadas as linhas de ônibus, que são mal planejadas? Haveria maior integração com os bairros? Os ônibus teriam que seguir padrões de qualidade? Teria lugares suficientes para todos? E muitas outras questões, algumas pessoas já partiam do principio de que a ideia não daria certo, alegando que se os ônibus já não param cobrando R$1,00, de graça então seria impossível andar de transporte público.
Por falar em Passaredo, a empresa não recebe apenas R$1,00 por passageiro, mas sim R$2,60, já que a prefeitura paga R$1,60 por passageiro, a destacar que não existe controle para o número de vezes que a catraca é girada. Os itinerários mal desenhados, sem integração entre os bairros e principais locais da cidade. E as reclamações, de falta de segurança, atraso, e outros estão ai, visíveis para todos.
A promessa era que primeiro de outubro o transporte público seria gratuito, entretanto o projeto só foi enviado para apreciação da câmara municipal no dia 30 de setembro. O projeto enviado permitia a gratuidade apenas aos cadastrados no programa de assistência social da prefeitura, e cada família teria direito a 16 passagens por dia, disponível em um cartão. Na 4ª Sessão extraordinária os vereadores reprovaram o projeto por 10 votos a 4, alegando estar incompleto, com errados e faltando informações.

Conversando com algumas pessoas, a opinião é dividida, alguns são a favor, outros contra. Uma abordagem diz que o projeto foi mal elaborado justamente para ser reprovado pela câmara, o prefeito teria se arrependido da promessa e enviou um projeto incompleto para os vereadores reprovarem e serem os responsáveis por não ter "passe livre". Acredito que o projeto da gratuidade tinha tudo para dar certo se fosse bem elaborado, redesenhar os itinerários, mais ônibus, cartão de passe para os moradores da cidade com número limitado de passagens, cumprindo os horários e com profissionalismo o projeto tinha como funcionar.
Afinal o transporte público de qualidade e gratuito  é um excelente canal para a participação da população nas ferramentas públicas, maior acesso aos espaços público, integração social, as pessoas poderão participar mais das atividades da prefeitura, estar nos locais públicas, criar, se divertir, ir e vir, além de diminuir o fluxo de veículos, entre vários outros benefícios que o transporte público. 

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