Em Julho a imprensa brasileira noticiava
as dezenas de manifestações no país. Tudo começou pelo aumenta de 20 centavos
na passagem de ônibus de São Paulo, incentivado pelo movimento passe livre,
centenas de pessoas saíram às ruas da capital do Estado e foram recebidos com
truculência pela polícia militar, vários manifestantes foram feridos e também
jornalistas, o acontecido repercutiu tanto que os outros protestos marcados
pelo grupo reunirão milhões de pessoas em diversas cidades do Brasil. Cada um
dos manifestantes aproveitaram para fazer suas reivindicações, levantando seus
cartazes. Essas manifestações mudaram a visão da política nacional, e os
responsáveis pelos três poderes tentaram dar atenção às reivindicações.
Todas as lentes das filmadoras e máquinas
fotográficas estavam voltados para a população. Em Paulínia, Edson Moura Junior
tomava passe e aproveitou o momento oportuno para prometer a população:
"Nas últimas semanas, todos nós temos
assistido a revolta de todos os brasileiros pela falta de bons serviços
públicos na Saúde, na falta de escolas, na falta de segurança e no transporte
público caro e sem o mínimo de conforto, além da consequente indignação e
revolta com os políticos. Isso tudo começou com a diferença de vinte centavos
nas passagens de ônibus. Por isso, tudo farei para que o povo de minha cidade
se orgulhe do meu trabalho. Quero iniciar os trabalhos com as minhas primeiras
medidas:
- Quero anunciar em primeira mão que a
partir do dia 1º de outubro, que o povo trabalhador não mais pagará transporte
de ônibus na nossa cidade. Nossa tarifa será zero, para que sobre mais dinheiro
no bolso nos trabalhador".
A notícia repercutiu o país com destaque
que "Paulínia seria a primeira cidade a ter tarifa zero depois da onde de
manifestação". A população ficou desconfiada: haveria um projeto
adequado para atentar o número de passageiros? Com a volumosa quantia que a
Passaredo receberia ela renovaria sua frota? Seriam redesenhadas as linhas de
ônibus, que são mal planejadas? Haveria maior integração com os bairros? Os
ônibus teriam que seguir padrões de qualidade? Teria lugares suficientes para
todos? E muitas outras questões, algumas pessoas já partiam do principio de que
a ideia não daria certo, alegando que se os ônibus já não param cobrando
R$1,00, de graça então seria impossível andar de transporte público.
Por falar em Passaredo, a empresa não
recebe apenas R$1,00 por passageiro, mas sim R$2,60, já que a prefeitura paga
R$1,60 por passageiro, a destacar que não existe controle para o número de
vezes que a catraca é girada. Os itinerários mal desenhados, sem integração
entre os bairros e principais locais da cidade. E as reclamações, de falta de
segurança, atraso, e outros estão ai, visíveis para todos.
A promessa era que primeiro de outubro o
transporte público seria gratuito, entretanto o projeto só foi enviado para
apreciação da câmara municipal no dia 30 de setembro. O projeto enviado
permitia a gratuidade apenas aos cadastrados no programa de assistência social
da prefeitura, e cada família teria direito a 16 passagens por dia, disponível
em um cartão. Na 4ª Sessão extraordinária os vereadores reprovaram o projeto
por 10 votos a 4, alegando estar incompleto, com errados e faltando
informações.
Conversando com algumas pessoas, a opinião
é dividida, alguns são a favor, outros contra. Uma abordagem diz que o projeto
foi mal elaborado justamente para ser reprovado pela câmara, o prefeito teria se
arrependido da promessa e enviou um projeto incompleto para os vereadores
reprovarem e serem os responsáveis por não ter "passe livre".
Acredito que o projeto da gratuidade tinha tudo para dar certo se fosse bem
elaborado, redesenhar os itinerários, mais ônibus, cartão de passe para os
moradores da cidade com número limitado de passagens, cumprindo os horários e
com profissionalismo o projeto tinha como funcionar.
Afinal o transporte público de qualidade e gratuito é um excelente canal para a participação da população nas ferramentas públicas, maior acesso aos espaços público, integração social, as pessoas poderão participar mais das atividades da
prefeitura, estar nos locais públicas, criar, se divertir, ir e vir, além de
diminuir o fluxo de veículos, entre vários outros benefícios que o transporte
público.